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Aeshma Daeva

Daeva da ira, o da maça sangrenta

Curadoria deCriado em

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Ásia
IrãPérsia Antiga(Irã)
👑
Classificação
ArquidaevaNv. 85
🔥
Hierarquia
Daevas ZoroástricosNv. 90

O daeva da ira e a sua maca

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Aeshma é o daeva da ira na religião de Zaratustra, e o seu nome é quase uma definição: o avéstico aēšma significa «fúria». Não tem nascimento nem genealogia; o Avesta apresenta-o já em funcionamento, como o impulso que arrebata um homem e o atira contra o seu semelhante. O seu epíteto fixo é xrvi.dru-, «o da maça sangrenta», e não está ali por acaso: existe para se opor palavra a palavra ao de Sraosha, a Obediência, que é darši.dru-, «o da maça firme». O mesmo cacete em duas mãos contrárias. Quando Darmesteter e Mills verteram o Avesta para inglês no século XIX traduziram ambos os epítetos por spear, lança, e daí vem que tantos textos posteriores armem Aeshma com uma lança que em avéstico nunca teve. O Yasna nomeia-o no ponto mais solene da liturgia: o prelúdio da Ahuna Vairya recita-se «para abater o iníquo Angra Mainyu, e para abater Aeshma o da lança sangrenta».

Os sete poderes e a ordem do mal

O Bundahishn pahlavi, redigido já em época islâmica sobre material muito mais antigo, atribui-lhe sete poderes com que destruirá sete dos heróis kayanidas: só um ficará de pé. Mas o que de mais exato diz dele não é um número, é uma ordem. «Onde chega Mitokht, a falsidade, é bem recebido Arashk, o rancor; e onde Arashk é bem recebido, Eshm lança alicerce; e onde Eshm tem alicerce, perecem muitas criaturas.» Aeshma não abre a porta: entra em último, quando a mentira e o rancor já lhe prepararam a casa. Esse pormenor separa-o de qualquer demónio tentador: não seduz, não negoceia, não propõe nada. Chega quando já não é preciso convencer ninguém. O Saddar Bundahesh diz-o em termos de conduta: lança cólera e malícia no coração dos homens e faz com que os pecadores percam o medo de pecar. E os textos maniqueus iranianos acrescentam o que explica a sua longevidade: Aeshma age como potência invisível dentro do corpo, sem figura própria que se possa golpear.

Sraosha, o seu contrario exato

O adversário de Aeshma não são «os Amesha Spentas» em abstrato, mas um yazata concreto: Sraosha, a Obediência, o que vela enquanto os homens dormem. A oposição está inscrita nos epítetos, na liturgia e no fim dos tempos. Quando o Bundahishn enumera quem derruba quem na Renovação, emparelha um a um os seis Imortais Benéficos com os seis arquidaevas, «Vohuman sobre Akoman, Ardwahisht sobre Andar, Shahrewar sobre Savar, Spandarmad sobre Taromat que é Naunghas, Hordad e Amurdad sobre Tairev e Zairich», e só depois, fora dessa lista fechada, acrescenta: «Srosh sobre Eshm». Esse renque solto diz duas coisas ao mesmo tempo. Que Aeshma não é um dos seis arquidaevas, por famoso que seja. E que ainda assim lhe é reservado carrasco próprio, precisamente porque nenhum dos seis lhe corresponde. No Yasht 19 combate ombro a ombro com Akem Mano, Azhi Dahaka e Spityura, o que serrou Yima ao meio, pela posse do khvarenah, a Glória que não se deixa tomar pela força; os quatro fracassam.

De Aeshma a Asmodeu

Aeshma é, muito provavelmente, o demónio antigo que chegou mais longe. O Talmude chama Ashmedai ao rei dos demónios, e o livro de Tobias chama Asmodaios ao que mata um após outro os sete maridos de Sara; ambos os nomes se fazem derivar do avéstico aēšmō.daēva-, «o daeva da fúria». A objeção clássica é que esse composto exato não aparece no Avesta conservado, mas o Avesta conservado é uma fração mínima do original, e o pahlavi Xēšm Dēw está atestado no Bundahishn e no Denkard, que reproduzem material antigo. Fica uma estranheza que convém não tapar: o Asmodeu de Tobias não é um demónio de ira, mas de desejo. A explicação assoma nos textos maniqueus iranianos, onde a Aeshma se atribuem três coisas juntas dentro do corpo humano: a cólera, a cobiça e a luxúria. O demónio que chegou ao judaísmo, e daí ao cristianismo, não levava só a maça: levava também o apetite.

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Também conhecido como

"Aeshma / Aeshma Daeva / Asmodeus"

Relíquias

Simbologia

🔥

Elemento

Fogo

🔢

Número

1

🎨

Cor

Vermelho

🦁

Animais

Serpente da Ira

Sigilos:

Maça sangrentaSangueTaça da embriaguez

Tracos

Poderes

💔

Fraquezas

🧠

Comportamento

🛡️

Resistencias

Relacoes com outros seres

No Atlas

Viaja pelo mundo de origem dos seres e o cosmos das suas dimensões.

Mitologias

📅 c. 1500-1000 a.C. até sassânida

A mitologia zoroástrica originou-se no antigo Irão, entre as comunidades iranianas de língua avéstica, e desenvolveu-se entre os séculos X e VI a.C. O seu fundamento encontra-se nos ensinamentos atribuídos a Zaratustra, recolhidos nos Gathas e em textos posteriores do Avesta. Esta tradição surgiu num contexto de sociedades pastoris e agrícolas da Ásia Central e do Irão ocidental, onde se integrou com práticas rituais e conceções religiosas anteriores.

Fontes

Livro de Tobias

Tradição bíblica · c. 200 a.C.

O apócrifo Livro de Tobias da Bíblia descreve Asmodeu como demônio que mata os maridos de Sara e é expulso por Rafael.

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Gathas do Avesta

Zoroastro (atribuído) · c. 1500-1000 a.C.

Os dezassete hinos que formam o núcleo mais antigo do Avesta e os únicos que a tradição atribui a Zaratustra em pessoa. Apresentam a escolha ética entre asha, a ordem verdadeira, e druj, a mentira.

📚

Bundahishn

Tradição pahlavi · c. séc. IX

Compilação pahlavi do século IX que recolhe a cosmogonia zoroastriana: a criação de Ohrmazd, a contracriação de Ahriman, o emparelhamento dos arquidaevas com os Amesha Spentas e a Renovação final do mundo.

🏛️

Avesta: Vendidad

Tradição zoroastriana · c. 1000-600 a.C.

O «código contra os demónios», livro do Avesta jovem dedicado à lei de pureza: o que contamina, como se repara e que daeva causa cada dano. Inclui a tentação de Zaratustra por Angra Mainyu e os seus daevas.

🏛️

Yasht 19

Tradição oral zoroastriana · c. 1000-600 a.C.

O Zamyad Yasht, hino do Avesta jovem dedicado ao khvarenah, a Glória que não se deixa tomar pela força. Narra a sua disputa entre as potências do bem e do mal e antecipa a batalha final do mundo.

Perguntas frequentes

Porque é que Aeshma é representado com uma lança se a sua arma é uma maça?

Porque as traduções oitocentistas do Avesta para inglês verteram como spear o avéstico dru-, que é um cacete. O seu epíteto é xrvi.dru-, «o da maça sangrenta», e a graça está em copiar o de Sraosha, darši.dru-, «o da maça firme»: a mesma arma em mãos contrárias.

Aeshma é um dos seis arquidaevas que se opõem aos Amesha Spentas?

Não. Os seis são Akoman, Andar, Savar, Naonhaithya, Taurvi e Zairi, e o Bundahishn emparelha-os um a um com os seis Imortais Benéficos. Aeshma figura nessa mesma enumeração, mas fora da lista e com carrasco à parte: «Srosh sobre Eshm».

Asmodeu vem mesmo de Aeshma?

É a derivação aceite: o Ashmedai do Talmude e o Asmodaios de Tobias procedem do avéstico aēšmō.daēva-. Objeta-se que esse composto não está no Avesta que chegou até nós, mas desse Avesta conserva-se muito pouco, e o pahlavi Xēšm Dēw está documentado.

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Última atualização: 26 de ago. de 2026