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Huitzilopochtli

Huitzilopochtli, o Colibri da Esquerda

Curadoria deCriado em

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América do Norte
MéxicoMéxico Central(México)
MéxicoTenochtitlan(México)
☀️⚔️
Classificação
Deus Asteca Sol-GuerraNv. 98
🌿
Hierarquia
Panteão MesoamericanoNv. 94

Árvore genealógica

Coatepec: o que nasceu armado

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Sahagún conta o seu nascimento no Livro III. Junto à povoação de Tula há uma serra chamada Coatepec, e ali Coatlicue, mãe dos Centzon Huitznahua e da irmã deles, Coyolxauhqui, fazia penitência varrendo. Um dia caiu-lhe «uma pelotinha de pena, como novelo de fio»; guardou-a no seio, debaixo das saias, e quando a quis tirar já lá não estava: tinha ficado grávida. Os filhos tomaram-no por desonra, e Coyolxauhqui convenceu-os a matar a mãe. O menino consolava-a de dentro do ventre, e um dos irmãos, Cuauhtlicac, passou-se para o seu lado e foi-lhe avisando por onde subiam. No momento em que chegavam, nasceu: com uma rodela de penugem, um dardo e uma vara azul, o rosto pintado, um penacho de pena na cabeça, a perna esquerda delgada e emplumada e as coxas e os braços pintados de azul. Mandou Tochancalqui acender a xiuhcóatl, uma cobra feita de tochas, e com ela feriu Coyolxauhqui, que morreu feita em pedaços: a cabeça ficou no alto da serra e o corpo caiu a rolar. Depois perseguiu os quatrocentos à volta do monte quatro vezes; morreram muitos, e os que restaram fugiram para sul. Ler esta batalha como o sol que ao nascer vence a lua e as estrelas é uma interpretação moderna, sobretudo de Eduard Seler no início do século XX: o texto fala de uma mãe e dos seus filhos.

Duas genealogias, e o homem que Sahagún viu

Coatepec não é a única origem que lhe dão. A História dos mexicanos pelas suas pinturas, escrita por volta de 1540, conta que o casal criador, Tonacatecuhtli e Tonacacíhuatl, «engendraram quatro filhos»: o Tezcatlipoca vermelho, o Tezcatlipoca negro, Quetzalcóatl e o quarto e mais pequeno, Omitecuhtli ou Maquizcóatl, «e os mexicanos chamavam-lhe Uchilobi, porque foi canhoto». Esse filho mais novo nasceu sem carne, só com os ossos, e assim esteve seiscentos anos, até que os irmãos o encarregaram, a ele e a Quetzalcóatl, de ordenar o mundo: fizeram o fogo, meio sol e o primeiro casal humano. Nenhuma fonte reconcilia as duas genealogias, e esta ficha não as mistura: a de Coatlicue é a vulgata mexica e a dos quatro irmãos uma variante com a sua fonte. O nome diz o mesmo nas duas: huitzilin, «colibri», e opochtli, «esquerdo», que para os mexicas era o lado do sul. Sahagún, por sua vez, abre o Livro I com ele e lê-o à sua maneira: «foi outro Hércules», um homem robustíssimo e «grande destruidor de povos», que trazia por divisa «uma cabeça de dragão muito espantosa, que deitava fogo pela boca», que «se transformava em figura de diversas aves e bestas» e que honraram como deus depois de morto. Essa leitura, a do herói divinizado, é a do frade, não a dos mexicas.

Do coração de Copil ao Templo Mayor

Durán, na sua História das Índias, conta a parte da migração que Sahagún mal toca. Huitzilopochtli tinha uma irmã, Malinalxóchitl, feiticeira, que mandou abandonar adormecida no caminho; ela fundou Malinalco, e o seu filho Copil foi de povoação em povoação levantando as nações do vale contra os mexicas. O deus avisou-os, mataram-no no outeiro de Tepetzinco, o atual Peñón de los Baños, arrancaram-lhe o coração e lançaram-no entre os caniçais da lagoa. Desse coração nasceu um nopal, e a profecia que Durán põe na boca do deus diz que nele vivia uma águia que «se apascenta e come dos melhores e mais galantes pássaros», rodeada de penas verdes, azuis, vermelhas e amarelas. Em Durán a águia não come nenhuma serpente: a cobra aparece à parte, na fórmula «onde cantou a águia e onde silvou a cobra». A imagem da águia a devorar uma serpente impôs-se depois, e fixou-a o brasão do México independente. Sobre esse ilhéu ergueu-se Tenochtitlan, e no seu centro o Templo Mayor, com dois santuários no cimo, o seu e o de Tláloc. A sua grande festa era Panquetzaliztli, em que se matava no templo de Huitznáhuac quem representava os Centzon Huitznahua. E em 1978, ao pé do seu lado do templo, apareceu o monólito de Coyolxauhqui: uma mulher desmembrada, no lugar onde o mito diz que caiu o seu corpo.

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Também conhecido como

"Uchilobi" "Maquizcóatl"

Relíquias

Simbologia

🔥

Elemento

Sol

🔢

Número

1

🎨

Cor

Turquesa

🦁

Animais

Colibri, Águia

Sigilos:

ColibriXiuhcóatlPerna emplumadaRodela de penugemNopal

Tracos

Poderes

💔

Fraquezas

🧠

Comportamento

🛡️

Resistencias

No Atlas

Viaja pelo mundo de origem dos seres e o cosmos das suas dimensões.

Mitologias

📍 México Central
📅 Pré-Clássico ao Pós-Clássico (c. 2000 a.C. - 1521 d.C.)

A mitologia mesoamericana abrange as tradições religiosas e cosmológicas das civilizações pré-hispânicas da Mesoamérica, incluindo olmecas, zapotecas, mixtecas, maias, toltecas e astecas. Destaca-se por suas complexas cosmogonias com eras cíclicas de criação e destruição, deidades primordiais como Quetzalcóatl a Serpente Emplumada e Tezcatlipoca, rituais de sacrifício humano para nutrir o sol e a terra, calendários sagrados como o tonalpohualli e o haab, e grandes centros cerimoniais como Teotihuacán, Monte Albán, Palenque, Chichén Itzá e Tenochtitlán. Reflete uma visão de mundo animista, dualista e politeísta, influenciada pelo comércio, agricultura de milho e guerras floridas.

Fontes

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Historia general de las cosas de Nueva España (Códice Florentino)

Bernardino de Sahagún · 1577

Enciclopédia ilustrada da cultura nauatle compilada por frei Bernardino de Sahagún por volta de 1577, em nauatle e espanhol. Descreve em detalhe as divindades astecas —Quetzalcoatl, Tezcatlipoca, Tláloc— e numerosos seres do mundo mesoamericano.

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Códice Borbônico

Anônimo · c. 1500

Manuscrito pictográfico mesoamericano de conteúdo ritual e adivinatório, anterior à conquista espanhola. Repleto de imagens de deuses como Quetzalcoatl, Tezcatlipoca e Mictlantecuhtli, é fonte fundamental da religião e do panteão do centro do México.

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História das Índias da Nova Espanha e ilhas da Terra Firme

Diego Durán · 1581

Crónica do dominicano Diego Durán, terminada por volta de 1581 com testemunhos indígenas e códices hoje perdidos. Conta a migração mexica, Malinalxóchitl, Copil e o nopal da fundação, e no seu Livro dos ritos os cultos de cada deus. Liga-se a edição de 1867-1880; os ritos estão no tomo II.

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Historia de los mexicanos por sus pinturas

Anónimo · c. 1543

Relação anónima do século XVI redigida a partir de códices pictográficos hoje perdidos. É a fonte principal da cosmogonia dos cinco sóis e dos quatro irmãos criadores, entre eles Quetzalcóatl.

Perguntas frequentes

Como conta o Códice Florentino o nascimento de Huitzilopochtli?

Coatlicue varria na serra de Coatepec quando lhe caiu uma pelotinha de pena «como novelo de fio»; guardou-a no seio e ficou grávida. Os seus quatrocentos filhos, açulados por Coyolxauhqui, subiram para a matar pela desonra, e no instante em que chegavam nasceu Huitzilopochtli, já armado. Não é um parto milagroso qualquer: é um nascimento para defender a mãe.

Que é a xiuhcóatl?

A «serpente de fogo», e Sahagún descreve-a de três maneiras. No nascimento é uma cobra feita de tochas que Tochancalqui acende e com a qual Huitzilopochtli mata Coyolxauhqui. No Livro I é a sua divisa, «uma cabeça de dragão muito espantosa, que deitava fogo pela boca». E nas festas um sacerdote descia do templo com um grande archote assim chamado, serpenteando, e lançava-o a arder sobre as oferendas.

Que aconteceu a Coyolxauhqui e aos Centzon Huitznahua?

Coyolxauhqui, sua irmã, caiu ferida pela xiuhcóatl e morreu feita em pedaços: a cabeça ficou no alto de Coatepec e o corpo rolou pela encosta abaixo. Aos seus quatrocentos irmãos perseguiu-os quatro vezes à volta do monte; morreram muitos e o resto fugiu para sul. A cena tem o seu eco em pedra: o monólito de Coyolxauhqui, encontrado em 1978 ao pé do Templo Mayor, mostra-a desmembrada.

A águia da fundação de Tenochtitlan comia uma serpente?

Em Durán, não. A profecia de Huitzilopochtli diz que a águia do nopal nascido do coração de Copil «come dos melhores e mais galantes pássaros», e à volta ficam as suas penas de cores. A cobra aparece noutra fórmula, «onde cantou a águia e onde silvou a cobra», não no seu bico. A serpente devorada impôs-se mais tarde, e consagrou-a o brasão do México independente.

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Bestiarypedia. (2026, September 11). Huitzilopochtli. Bestiarypedia. https://bestiarypedia.com/pt/beings/huitzilopochtli

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Última atualização: 11 de set. de 2026