Shu
Shu, deus egípcio do ar, do vento e da luz
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Origens míticas de Shu
Shu é o primogénito de Atum na cosmogonia de Heliópolis, e nasce junto de Tefnut, sua irmã e esposa. Os Textos das Pirâmides contam esse parto com um jogo de palavras que o egípcio faz e o português perde: Atum espirrou Shu e cuspiu Tefnut, porque os verbos que designam as duas ações soam como os seus nomes. Shu é o ar seco e luminoso; Tefnut, a humidade. Deles nascem Geb, a terra, e Nut, o céu, e destes os quatro que fecham a Enéade: Osíris, Ísis, Set e Néftis. Shu e Tefnut aparecem também como um par de leões sentados de costas, virados para lados opostos, sobre cujos dorsos o sol se ergue todas as manhãs: o horizonte de ontem e o de amanhã. É o segundo degrau da criação, o primeiro que tem forma e número, e dele desce tudo o resto.
A separação do céu e da terra
O ato que o define não é uma batalha mas uma postura. Geb e Nut, a terra e o céu, estavam abraçados, e enquanto o estivessem não havia vão onde pudesse acontecer coisa alguma. Shu meteu-se entre os dois, ajoelhou-se e ergueu os braços, e nesse espaço cabe tudo o resto: o ar que se respira, a luz, o caminho que o sol percorre da manhã à noite. A cena foi desenhada milhares de vezes em caixões e papiros funerários, e sempre igual: Nut arqueada como uma abóbada, Geb estendido por baixo, Shu no meio com as mãos abertas para cima. Os quatro cantos do céu assentam em suportes a que os textos chamam os pilares de Shu. Um grupo inteiro de fórmulas dos Textos dos Sarcófagos está posto na sua própria boca, falando na primeira pessoa do que é ser o vazio luminoso entre dois corpos. E no Livro da Vaca Celeste, quando Ra se cansa dos homens e se retira sobre o dorso de Nut, é a Shu que ordena colocar-se debaixo e sustentá-la.
O seu reinado e o seu emblema
Os papiros mitológicos tardios dão-lhe algo que raramente se conta: um reinado. Retirado Ra ao céu, Shu governou a terra como rei, e contra ele ergueram-se os filhos de Apófis, a serpente do caos. Após uma guerra longa e uma doença, subiu também ele ao firmamento e deixou o trono ao seu filho Geb. O seu emblema é a pena de avestruz, que é além disso o sinal com que se escreve o seu nome. E aqui convém dizer o que quase toda a divulgação confunde: a pena que se coloca na balança diante do coração do defunto é a de Maat, a verdade, não a de Shu. Partilham o hieróglifo, não a função. O que de facto se pede a Shu nos textos funerários é ar: que abra o nariz do morto e lhe devolva o alento. É um pedido coerente até ao fim, porque respirar é exatamente aquilo que ele tornou possível no dia em que separou o céu da terra.
Relíquias
Simbologia
Elemento
Ar seco
Número
1
Cor
Branco
Animais
Avestruz
Sigilos:
Tracos
Poderes
Fraquezas
Comportamento
Resistencias
No Atlas
Viaja pelo mundo de origem dos seres e o cosmos das suas dimensões.
Mitologias
A mitologia egípcia desenvolveu-se no antigo Egito ao longo de mais de três milênios, desde o período pré-dinástico até a época romana, e esteve estreitamente vinculada à civilização que habitava as margens do Nilo. Suas crenças baseavam-se em uma cosmovisão em que a ordem cósmica, representada pelo conceito de maat, era mantida graças à ação dos deuses e ao cumprimento de rituais por parte dos humanos. O panteão egípcio incluía numerosas divindades locais e nacionais, entre as quais se destacavam Rá, associado ao sol e à criação, e Osíris, deus da ressurreição e do submundo, junto a outras figuras como Ísis, Hórus, Set e Amom. As narrativas mitológicas explicavam a origem do mundo, o ciclo diário do sol e o destino da alma após a morte, integrando elementos da natureza do vale do Nilo e da observação astronômica. Os textos funerários, como o Livro dos Mortos, e os relevos dos templos constituem as principais fontes para o conhecimento dessas crenças. Embora o culto oficial tenha decaído com a cristianização do Egito, a mitologia egípcia exerceu uma influência duradoura na arte, na literatura e no imaginário ocidental, e continua sendo objeto de estudo na egiptologia.
Fontes
Textos das Pirâmides
Anônimo · 2400 a.C.
Coleção de textos funerários egípcios antigos do Reino Antigo registrando rituais e mitos cósmicos.
Textos dos Sarcófagos
Anônimo · 2000 a.C.
Textos funerários egípcios do Médio Império expandindo mitos e documentando feitos dos deuses.
Livro dos Mortos
Anônimo · c. 1550 a.C.
Compilação de feitiços funerários do Novo Reino egípcio para guiar o defunto no além, invocando aromas divinos e renascimento.
Perguntas frequentes
Como nasceram Shu e Tefnut?
De Atum, em Heliópolis. Os Textos das Pirâmides contam-no com um jogo de palavras: o deus espirrou Shu e cuspiu Tefnut, porque os verbos soam como os seus nomes. É uma etimologia mítica, não uma metáfora moderna.
A pena de Shu é a do juízo dos mortos?
Não. Partilham o hieróglifo da pena de avestruz, mas a que se põe na balança diante do coração é a de Maat, a verdade. A de Shu escreve o seu nome e significa o ar.
O que são os pilares de Shu?
Os quatro suportes sobre os quais assentam os cantos do céu. Shu sustém a abóbada com os braços, e esses pilares repartem o peso pelos pontos cardeais. Aparecem assim designados nos próprios textos funerários.
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