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Baba Yaga

Baba Yaga, a bruxa anciã e poderosa da mitologia eslava

Curadoria deCriado em

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EuropaEuropa
Ásia
RússiaEslavo russo(Rússia)
🧙‍♀️
Classificação
Rainha das BruxasNv. 92
🌿
Hierarquia
Espíritos NaturaisNv. 22

Da Gramática de Lomonossov aos contos de Afanassiev

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A primeira menção impressa de Baba Yaga surge em 1755, na Gramática russa de Mikhail Lomonossov, que a arrola entre as figuras sobrenaturais eslavas e a deixa à parte, sem lhe achar equivalente no panteão romano com que compara as demais. O nome junta «baba» (mulher velha, avó) a um «yaga» de origem discutida, aparentado a vocábulos eslavos que evocam pavor ou doença. Vale sublinhar o que ela não é: não integra o panteão de Perun e Veles nem recebeu culto algum. É figura do conto camponês, e chegou ao papel quando Alexandre Afanassiev recolheu os relatos orais nos seus Contos populares russos (1855-1863), onde aparece em mais de vinte histórias, ora sozinha, ora desdobrada em três irmãs que levam todas o mesmo nome.

A isbá sobre patas de galinha

Vive no fundo da floresta, numa isbá assente em patas de galinha que gira sobre si mesma sem porta à vista; para entrar é preciso ordenar-lhe em voz alta que ponha as costas para a mata e a frente para quem chega. A cerca que rodeia a clareira é feita de ossos humanos e rematada por caveiras cujas órbitas se acendem ao anoitecer e iluminam o caminho. Lá dentro, a dona ocupa a sala inteira, estendida de um canto ao outro com o nariz encostado ao tecto, e anuncia-se farejando o ar: «Fu, fu, fu! Cheira a espírito russo.» O seu epíteto mais antigo, «Baba Yaga perna de osso», coloca-a a meio caminho entre os vivos e os mortos: uma perna ainda de carne, a outra já esqueleto.

O pilão, a vassoura e os três cavaleiros

Não cavalga uma vassoura como as bruxas do Ocidente. Viaja de pé dentro de um pilão, que impele com a mão de almofariz tal como o barqueiro com a vara, e vai apagando com a vassoura o rasto que deixa; à sua passagem as árvores rangem e a terra geme. A casa não está deserta: servem-na umas mãos sem corpo que surgem para cumprir cada ordem, e três cavaleiros que atravessam a paliçada a horas certas. No conto de Vassilissa, a Bela, a rapariga vê-os passar um após outro (o branco ao amanhecer, o vermelho ao meio-dia, o negro quando cai a noite) e a velha reclama-os como seus: o meu dia claro, o meu sol vermelho, a minha noite escura. Dentro daquela clareira, o próprio tempo trabalha às suas ordens.

Nem boa nem má: uma prova

Baba Yaga não é exactamente malvada: funciona como uma prova. A quem chega com boas maneiras, cumpre as tarefas impossíveis que ela impõe e sabe não perguntar demais, entrega o fogo, o cavalo ou o conselho que veio buscar; o ganancioso, o mentiroso e o insolente devora-os e junta os seus crânios à cerca. Vassilissa, a Bela, sai daquela casa com uma caveira acesa na mão que reduz a cinzas a madrasta e as meias-irmãs; outros heróis partem num cavalo capaz de alcançar o fim do mundo. Vladimir Propp leu aquela cabana como a choça de iniciação dos ritos antigos: uma fronteira que o protagonista tem de atravessar rumo ao país dos mortos e da qual deve regressar mudado. Por isso a velha pergunta sempre o mesmo antes de decidir, se o visitante vem por vontade própria ou se é a necessidade que o traz.

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Também conhecido como

"Yaga"

Relíquias

Simbologia

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Elemento

Floresta

🔢

Número

Três

🎨

Cor

Preto

🦁

Animais

Galinha

Sigilos:

Isbá sobre patas de galinhaCerca de caveirasPilão e mão de almofarizVassoura que apaga o rastoPerna de ossoCaveira acesa

Tracos

Poderes

💔

Fraquezas

🧠

Comportamento

🛡️

Resistencias

Relacoes com outros seres

No Atlas

Viaja pelo mundo de origem dos seres e o cosmos das suas dimensões.

Mitologias

📅 Pré-cristão ao séc. XIX

Folclore eslavo inclui domovoi (espíritos da casa), leshy (guardiões da floresta), rusalki (ninfas aquáticas), Baba Yaga (bruxa), vodyanoi (senhores dos pântanos), enraizado em crenças pagãs pré-cristãs na Rússia, Polônia, Ucrânia.

Fontes

📚

Contos Populares Russos

Aleksandr Afanassiev · 1855-1863

Coleção canónica do conto popular russo reunida por Alexandr Afanásiev (1855-1863): a maior recolha do conto maravilhoso eslavo oriental e fonte primária das suas figuras folclóricas, de Baba Yagá e Koschéi aos mortos que regressam.

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Contos populares russos de Ralston

William Ralston Shedden-Ralston · 1873

Estudo e tradução de contos populares russos preparado por William Ralston em 1873, obra académica precoce e fiável.

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Mitos e contos populares dos russos de Curtin

Jeremiah Curtin · 1890

Coleção de mitos e contos populares russos compilada por Jeremiah Curtin em 1890, fonte fiável do folclore eslavo.

Perguntas frequentes

Como se entra na cabana sobre patas de galinha?

A cabana gira sem mostrar porta, pelo que não se entra à força: é preciso dirigir-lhe a palavra e ordenar-lhe que ponha as costas para a mata e a frente para quem chega. O pormenor importa porque separa o visitante que conhece as regras da floresta do intruso, e é justamente o intruso que a dona devora.

Baba Yaga é uma deusa do panteão eslavo?

Não. Perun, Veles ou Mokosh receberam culto, tiveram ídolos e templos; de Baba Yaga não se conhece santuário, sacerdócio nem oferenda. É uma figura do conto oral, documentada a partir do século XVIII, e essa diferença explica por que o seu comportamento não obedece a uma teologia mas à lógica da narrativa: existe para pôr à prova quem entra na floresta.

Porque viaja num pilão e não numa vassoura?

A vassoura voadora é traço da bruxa da Europa ocidental, formado nos processos de feitiçaria dos séculos XVI e XVII. Nos contos russos o pilão e a mão de almofariz são utensílios de cozinha camponesa, os mesmos com que se mói o grão. Ela transforma-os em veículo e guarda a vassoura só para varrer o rasto. A imagem diz muito da sua natureza: o perigo não vem de fora, mas do interior da casa.

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Bestiarypedia. (2026, August 7). Baba Yaga. Bestiarypedia. https://bestiarypedia.com/pt/beings/baba-yaga

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Última atualização: 7 de ago. de 2026