Adi Shakti
Adi Shakti, a Grande Deusa do shaktismo
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Ásia do Sul(Índia, Nepal)🔄 Linha de Transformação (Fase 1 de 5)
Os nomes da Deusa
Adi Parashakti, Mahadevi, Devi, Mahamaya: o shaktismo não distingue entre estes nomes, porque nomeiam o mesmo princípio. Essa corrente entende a Deusa como Para Brahman, a realidade última, e todos os deuses e deusas do hinduísmo como manifestações suas; não é mais uma divindade dentro de um panteão, mas aquilo de que o panteão é feito. O nome Adi Parashakti sublinha o que é primeiro (adi) e o que está para além (para) da energia (shakti); Mahadevi, «a Grande Deusa», sublinha a soberania. Quem procurar nos textos uma hierarquia entre os dois nomes não a encontrará: usam-se indistintamente, e a ideia de que um designe uma fase manifestada e o outro uma fonte não manifestada não vem das fontes clássicas mas da divulgação moderna.
O texto que a funda
A teologia que a sustenta funda-se no Devi Mahatmya, setecentos versos também conhecidos como Durga Saptashati que ocupam os capítulos 81 a 93 do Markandeya Purana e se datam entre os séculos V e VI. É o tratado mais antigo que apresenta a Deusa como verdade suprema e criadora do universo, e não como esposa de alguém. No seu primeiro episódio ela é Mahamaya, o sono que mantém Vishnu adormecido e que tem de retirar-se para que o deus acorde. No segundo, os deuses derrotados pelo búfalo Mahisha reúnem o seu fulgor e dessa massa de luz nasce Durga, que o mata. No sétimo, quando a Deusa se encoleriza, da sua fronte enegrecida sai Kali. É esse o mecanismo que o texto repete vezes sem conta: as outras deusas não são criaturas independentes que ela governe, mas formas que emite e volta a reabsorver.
A energia e a consciência
A sua relação com Shiva não é de subordinação. O primeiro verso do Saundaryalahari, atribuído pela tradição a Shankara, di-lo sem rodeios: unido a Shakti, Shiva é capaz de criar; sem ela não consegue sequer mexer-se. A energia é o princípio ativo e a consciência o passivo, de modo que o par reparte função e não poder, e é por isso que o shaktismo pode chamar-lhe suprema sem negar ninguém. Na escola Shrividya esta mesma Deusa é adorada como Lalita Tripurasundari, e o Lalita Sahasranama, os mil nomes seus conservados no Brahmanda Purana, percorre-a inteira: chama-lhe sem origem, sem suporte e sem igual. O seu apoio visual não é uma imagem mas um diagrama, o Shri Yantra, cujos nove triângulos entrelaçados convergem num ponto central, o bindu, de que se diz proceder tudo o mais.
As formas, e o que não é a sua imagem
Sati, Parvati, Durga e Kali costumam apresentar-se como quatro emanações paralelas suas, e não o são: cada uma tem o seu próprio fio. Sati, filha de Daksha, atira-se ao fogo do sacrifício do pai quando este humilha o marido dela, e renasce como Parvati, filha de Himavat; é a mesma deusa em duas vidas, não dois ramos de um tronco. Durga nasce do fulgor reunido dos deuses para uma tarefa concreta e regressa a eles cumprida. Kali sai da fronte da Deusa irada e é preciso apaziguá-la depois. Reunir as quatro numa lista de saídas simultâneas de uma fonte achata uma teologia bastante mais precisa do que isso.
Quanto à imagem, não há uma iconografia fixa nem um atributo obrigatório. Representa-se com vários braços (quatro, oito, dezoito conforme a forma invocada) sentada ou de pé sobre um lótus, com as armas que os deuses lhe entregaram no Devi Mahatmya. Os mil braços que por vezes se lhe atribuem não são seus: pertencem a outras figuras da arte religiosa indiana, e pendurar-lhos é um erro de divulgação que a sua própria iconografia desmente.
Também conhecido como
Simbologia
Elemento
Energia Cósmica
Número
1000
Cor
Dourado
Animais
Tigre
Sigilos:
Tracos
Poderes
Fraquezas
Comportamento
Resistencias
No Atlas
Viaja pelo mundo de origem dos seres e o cosmos das suas dimensões.
Mitologias
A mitologia hindu originou-se no subcontinente indiano a partir da fusão das tradições dos povos indo-arianos, que chegaram por volta do segundo milénio a.C., com as culturas pré-existentes do vale do Indo e outras populações locais. Os seus textos fundacionais, como os Vedas, compostos entre aproximadamente 1500 e 500 a.C., recolhem hinos, rituais e narrativas que refletem uma cosmovisão em que o universo é regido pela ordem cósmica (ṛta) e por ciclos de criação, preservação e destruição. As principais divindades védicas incluem Indra, Agni e Varuṇa, enquanto em períodos posteriores, especialmente a partir dos textos épicos Mahābhārata e Rāmāyaṇa e dos Purāṇas, adquirem maior relevância as tríades de Viṣṇu, Śiva e Devī nas suas diversas manifestações. Esta tradição concebe a realidade como uma trama de existências regidas pelo karma e pelo renascimento (saṃsāra), com o objetivo último da libertação (mokṣa). As epopeias e os relatos purânicos transmitem ensinamentos morais, filosóficos e rituais que configuraram a vida religiosa e social de grande parte do subcontinente indiano ao longo dos séculos. A sua influência estende-se às artes, à literatura e às práticas devocionais de numerosas comunidades hindus, bem como a outras tradições religiosas do sul e sudeste da Ásia.
Fontes
Devi Mahatmya
Markandeya · c. 500-600
Texto sânscrito do século VI que narra as façanhas da Grande Deusa.
Markandeya Purana
Vyasa · circa 400-600 d.C.
Um dos Puranas do hinduísmo (séculos IV-VI), célebre por conter o Devi Mahatmya, hino à Grande Deusa. Narra o triunfo de Durga sobre o demónio búfalo Mahishasura, fonte fundamental do culto à deusa (Shakti).
Lalita Sahasranama
Brahmanda Purana (anônimo); trad. R. Ananthakrishna Shastri · 1925
Hino sânscrito dos mil nomes da deusa Lalita (Tripura Sundari), contido no Brahmanda Purana, texto central do shaktismo.
Perguntas frequentes
Adi Shakti e Mahadevi são a mesma deusa?
Sim. Adi Parashakti, Mahadevi, Devi e Mahamaya são nomes do mesmo princípio supremo, e o shaktismo usa-os de forma intercambiável. A ideia de que um designe uma fase manifestada e o outro uma fonte não manifestada não aparece nos textos clássicos: é uma distinção de divulgação recente.
Que texto a estabelece como deusa suprema?
O Devi Mahatmya, setecentos versos que ocupam os capítulos 81 a 93 do Markandeya Purana e se datam entre os séculos V e VI. É o tratado mais antigo que a apresenta como verdade suprema e criadora do universo por direito próprio, e não como consorte de um deus masculino.
Como se entende a sua relação com Shiva?
Como repartição de função, não de posto. O primeiro verso do Saundaryalahari formula-o assim: unido a Shakti, Shiva pode criar; sem ela não consegue sequer mexer-se. Ela é o princípio ativo e ele a consciência que esse princípio põe em movimento, de modo que nenhum dos dois opera sozinho.
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