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Gumiho Sangrento

A raposa coreana que ficou besta

Curadoria deCriado emAtualizado em

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Ásia
CoreiaPenínsula Coreana(Coreia)
🦊
Classificação
Gumiho Presságio SangrentoNv. 68
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Hierarquia
Espíritos CoreanosNv. 85

A raposa que não passou por humana

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O gumiho (구미호, «raposa de nove caudas») é, no folclore coreano, a raposa que depois de viver muitos anos aprende a tomar forma humana. Nem todas sustentam essa forma. A par das figuras que passam por donzela, por senhora de casa nobre ou por xamã de aldeia, as recolhas antigas conservam a raposa que nunca deixou de ser predadora, e a esta não se reconhece pela cara mas pelos estragos. Homer Hulbert anotou em 1906 que a raposa era o animal pior considerado da Coreia e que o país estava cheio de histórias de gente que afinal era uma raposa sob forma humana. James Gale, em 1913, conta-a entre as criaturas longevas a que se atribuem estados especiais. O relato que melhor fixa esta versão é o da irmã raposa: um casal sem filhas roga por uma, a filha que lhes nasce desce todas as noites ao estábulo, e os irmãos que contam o que viram acabam expulsos de casa precisamente por o contarem.

O fígado e a sepultura

A sua marca não é a sedução mas a matança doméstica. No relato da irmã raposa a criatura entra de noite no estábulo e mata as reses metendo-lhes a mão para lhes arrancar o fígado, de modo que ao amanhecer o gado aparece morto sem ferida visível que o explique. A mesma tradição atribui-lhe desenterrar os mortos recentes: a raposa que ronda os túmulos e escava na terra solta é uma imagem fixa do campo coreano, e daí vêm precauções muito concretas, como calcar as sepulturas, cobri-las de pedra e velá-las nos primeiros dias. Conserva a forma humana enquanto ninguém a puser à prova, e sustenta-a sobretudo dentro da própria casa, onde o parentesco funciona como álibi e onde a suspeita recai antes sobre quem acusa do que sobre ela. Quando por fim é descoberta, a forma cede e fica o animal.

Como é descoberta

O que a denuncia não é um emblema mas um rasto. Reses mortas sem sangue derramado, terra remexida sobre uma sepultura fresca e, sobretudo, os animais da casa: a tradição insiste em que os cães a reconhecem antes das pessoas e se recusam a entrar onde ela está. Nos relatos a descoberta chega sempre por via indireta, porque alguém a segue de noite ou conta o que viu e não é acreditado, e essa incredulidade faz parte da história tanto como a criatura. Convém distinguir tudo isto do que a ficção do século XX acrescentou: a contagem de fígados humanos para completar uma transformação, as caudas visíveis apenas em visão espiritual e a pérola devorada num ato de autocorrupção não aparecem nas recolhas antigas, por muito repetidos que estejam hoje no cinema e na televisão.

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Simbologia

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Elemento

Fogo de sangue

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Número

9

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Cor

Vermelho sangue

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Animais

Raposa híbrida vermelha, Corvos coreanos, Lobo de Joseon

Sigilos:

Fígado arrancadoSepultura remexidaEstábulo noturnoCão eriçadoNove caudas

Tracos

Poderes

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Fraquezas

🧠

Comportamento

🛡️

Resistencias

No Atlas

Viaja pelo mundo de origem dos seres e o cosmos das suas dimensões.

Mitologias

📍 Península Coreana
📅 Dinastia Joseon (1392-1897) e tradições anteriores

O folclore coreano abrange tradições orais, mitos, lendas e criaturas sobrenaturais como dokkaebi, associadas a riachos, cachoeiras, água e fertilidade, compiladas em textos da dinastia Joseon que refletem crenças animistas, temores ecológicos e respeito pela natureza em rios e arrozais da Coreia do Sul.

Fontes

📚

Contos Populares Coreanos (Korean Folk Tales)

James S. Gale (trad.); Im Bang e Yi Ryuk · 1913

Coleção de contos populares coreanos (duendes, fantasmas e fadas) traduzida por James S. Gale das obras de Im Bang e Yi Ryuk; uma das primeiras recolhas do folclore coreano no Ocidente.

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O ocaso da Coreia

Homer B. Hulbert · 1906

Panorama da Coreia de 1906 escrito por Homer Hulbert, missionário e publicista que viveu mais de vinte anos no país. Os seus capítulos de crenças e fauna recolhem a reputação da raposa como o animal pior considerado da Coreia e as histórias, abundantíssimas, de gente que afinal era uma raposa sob forma humana.

Perguntas frequentes

O que distingue esta gumiho das que passam por humanas?

Que não vive de agradar mas de caçar. As outras formas da raposa sustentam um papel social (a donzela, a senhora, a xamã) e o seu perigo está em durar. Esta é descoberta depressa porque deixa rasto: o estábulo e a sepultura.

Porque se associa a raposa às sepulturas na Coreia?

Porque a raposa real escavava mesmo nos túmulos de terra, que são o sepulcro tradicional coreano. A crença apoiou-se num comportamento observável, e as medidas do campo (calcar, cobrir de pedra, velar) valiam tanto para o animal como para o que lhe era atribuído.

Os cem fígados e a pérola devorada são folclore antigo?

Não. As recolhas de Gale (1913) e Hulbert (1906) não trazem nem a contagem de fígados como condição para se tornar humana, nem a pérola devorada, nem as caudas visíveis apenas em visão espiritual. São elaborações do cinema e da televisão do século XX. O antigo é mais simples: uma raposa que mata gado e escava nas sepulturas.

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Bestiarypedia. (2026, August 20). Gumiho Sangrento. Bestiarypedia. https://bestiarypedia.com/pt/beings/gumiho-blood-omen

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Última atualização: 20 de ago. de 2026