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Lamashtu

Lamashtu, demónia mesopotâmica filha de Anu

Curadoria deCriado emAtualizado em

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Ásia
IraqueMesopotâmia(Iraque)
👹
Classificação
Devoradora de CriançasNv. 74
👿
Hierarquia
Governantes DemoníacosNv. 90

Origens míticas de Lamashtu

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Lamashtu (em sumério Dimme) é uma temível demônia da antiga Mesopotâmia, filha do deus celeste Anu. Ao contrário da maioria dos demônios mesopotâmicos, que atuavam por ordem dos deuses, Lamashtu agia segundo sua própria vontade malévola, o que a tornava uma força especialmente aterrorizante. Os textos acadios e babilônicos a descrevem com cabeça de leoa, dentes de asno, corpo peludo, dedos e unhas longos e mãos manchadas de sangue. É frequentemente representada ajoelhada sobre um asno ou uma barca, amamentando um cão e um porco, e segurando serpentes em ambas as mãos. Era conhecida por sete nomes e encarnava o perigo que espreitava as mulheres e os recém-nascidos.

Natureza e poderes

O terror de Lamashtu se concentrava sobretudo nas grávidas e nos infantes. Acreditava-se que ela se infiltrava nas casas para tocar o ventre da mulher grávida, provocar o aborto ou roubar a criança do peito de sua mãe para beber seu sangue e devorar sua carne. Também era culpada por doenças, pesadelos, a morte súbita do lactente e a esterilidade. Como força do caos, propagava febres e contágios, murchava a vegetação e envenenava as águas e os rios. Seu caráter autônomo, não submetido a deus algum, a situava entre as ameaças mais perigosas do panteão demoníaco, pois não podia ser aplacada mediante oferendas a uma divindade superior.

Proteção e legado

Diante de Lamashtu, os mesopotâmicos recorriam à magia apotropaica. As grávidas e as mães usavam amuletos, e era costume invocar o demônio do vento Pazuzu, seu grande rival, cuja imagem era pendurada ou colocada voltada para ela para afugentá-la. As célebres placas contra Lamashtu a mostram sendo expulsa para o submundo através das águas, enquanto Pazuzu a vigia do alto. Recitavam-se encantamentos que enumeravam seus sete nomes para dominá-la e ofereciam-se presentes (pentes, fusos, broches) para que ela partisse apaziguada. Lamashtu perdurou durante milênios como a personificação do medo ancestral à morte perinatal, e sua iconografia influenciou as representações posteriores de demônios femininos devoradores de crianças no Próximo Oriente.

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Relíquias

Simbologia

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Elemento

Noite yin e escuridão puerperal

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Número

7

🎨

Cor

Vermelho-preto

🦁

Animais

Leoa, Serpentes, Coruja noturna

Sigilos:

Cabeça de leoaDuas serpentes erguidas

Tracos

Poderes

💔

Fraquezas

🧠

Comportamento

🛡️

Resistencias

Relacoes com outros seres

No Atlas

Viaja pelo mundo de origem dos seres e o cosmos das suas dimensões.

Mitologias

📍 Mesopotâmia
📅 c. 3500-500 a.C.

A mitologia mesopotâmica desenvolveu-se na região situada entre os rios Tigre e Eufrates, no território que hoje corresponde ao Iraque e zonas limítrofes, e abrange um extenso período que se inicia com a civilização suméria por volta do quarto milênio a. C. e continua através das culturas acádia, babilónica e assíria até à época helenística. Os seus relatos foram transmitidos em tábuas de argila escritas em sumério e acádio, e refletem uma cosmovisão em que os deuses controlavam as forças da natureza e o destino humano, enquanto os reis atuavam como intermediários entre o mundo divino e a sociedade.

Fontes

📚

Os Demónios e Espíritos Malignos da Babilónia

R. Campbell Thompson · 1903-1904

Edição e estudo dos textos mágicos cuneiformes da Babilónia e da Assíria sobre demónios e espíritos malignos (entre eles Lamashtu e os utukku), obra pioneira da assiriologia de R. Campbell Thompson.

📚

Os textos de Labartu

David W. Myhrman · 1902

Edição e tradução das tábuas cuneiformes de conjuros contra a demónia Labartu (a leitura antiga do nome que hoje se lê Lamashtu). É a edição canónica da sua série de encantamentos e a fonte de quase tudo o que se sabe sobre os ritos para a expulsar.

📚

Magia semítica: as suas origens e desenvolvimento

R. Campbell Thompson · 1908

Estudo comparado da magia do Próximo Oriente antigo que reúne os conjuros contra os demónios que atacavam as parturientes e os recém-nascidos, e descreve os amuletos e ritos domésticos com que eram repelidos.

Perguntas frequentes

Que relação há entre Lamashtu e Lilith?

Partilham arquétipo, não linhagem. Lamashtu é uma demónia mesopotâmica com nome e culto próprios, filha de Anu; o antecedente de que vem o nome de Lilith são as lilītu, os espíritos nocturnos da mesma região. O que passou para a tradição judaica posterior foi a figura: a que espreita a parturiente e o recém-nascido, e os amuletos que se lhe opõem.

O que enfraquece Lamashtu na cosmologia mesopotâmica?

Amuletos de Pazuzu e pentes de bronze quebrados ritualmente a neutralizam. Não há diálogo possível, apenas rituais defensivos em lares com grávidas.

Porque é que Lamashtu é conhecida por sete nomes?

Porque nomeá-la era o modo de a dominar. Na magia mesopotâmica um demónio fica sujeito a quem conhece o seu nome, e por isso os conjuros enumeram-nos um após outro: recitar os sete esgotava os seus disfarces e obrigava-a a partir. Daí que o sete seja o número a ela associado nas tábuas.

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Última atualização: 19 de ago. de 2026