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Lilith

Lilith, a primeira mulher rebelde e rainha dos demônios

Curadoria deCriado emAtualizado em

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Ásia
IraqueMesopotâmia(Iraque)
IsraelTerra Santa(Israel)
👸🔥
Classificação
Rainha DemônioNv. 94
👿
Hierarquia
Governantes DemoníacosNv. 90

Origens Míticas de Lilith

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Lilith, nas tradições judaicas antigas e cabalísticas, é considerada a primeira mulher criada da mesma terra que Adão, tornando-a sua parceira igual na criação. Recusou-se a se submeter a ele no coito, exigindo igualdade, e pronunciou o Nome Mais Grande de Deus, que lhe concedeu poder sobrenatural para voar longe do Jardim do Éden em direção ao Mar Vermelho dos Demônios. Lá, em cavernas escuras, uniu-se a demônios e anjos caídos, tornando-se símbolo de rebelião feminina e independência da autoridade masculina patriarcal, como relatado no Alfabeto de Ben Sira do século VIII.

Aparência: o atestado e o acrescentado

Os textos antigos dizem dela muito menos do que a imagética moderna dá por sabido. O Talmude atribui-lhe cabelo comprido (Eruvin 100b) e asas (Nidá 24b), e desaconselha dormir sozinho numa casa por receio dela (Shabat 151b); em Bavá Batrá 73a surge um demónio chamado filho de Lilit. As taças de encantamento de Nippur, entre os séculos V e VII, desenham-na de frente, nua e com os pés atados, cercada pela fórmula que a expulsa. O Zohar emparelha-a com Samael e situa-a entre as qelipot, as cascas que envolvem a centelha divina.

O resto é recente e convém datá-lo. As asas de morcego e os pés fendidos vêm da iconografia cristã do diabo e da estampa romântica do século XIX; o pentagrama invertido foi popularizado por Éliphas Lévi em 1855; a coruja vem de assim se traduzir o lilit de Isaías 34:14 e do relevo Burney, cuja identificação com ela foi descartada há décadas. Nada disso está em Ben Sira, nem no Talmude, nem no Zohar.

Descendência, conjuro e recepção moderna

Lilith é a mãe dos lilim, a hoste de demónios que ataca os recém-nascidos e os homens que dormem sozinhos. Contra ela, o folclore asquenaze pendurava junto ao berço amuletos com os nomes dos três anjos que o Alfabeto de Ben Sira envia atrás dela, Senoy, Sansenoy e Semangelof; as taças mesopotâmicas haviam cumprido séculos antes a mesma função. Na Cabala luriânica ocupa o lado das qelipot, as cascas que aprisionam a centelha divina, emparelhada com Samael.

A sua releitura como figura libertadora é do século XX e tem datas. O ensaio de Judith Plaskow «A vinda de Lilith» (1972) reescreve-a como aliada de Eva, e em 1976 a revista feminista judaica Lilith toma o seu nome; daí passou ao neopaganismo e à cultura popular. Convém não confundir essa recepção com um culto antigo: nas fontes judaicas ninguém a venera, conjura-se para que se vá.

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Também conhecido como

"Lilit" "Lilim" "Naamah"

Relíquias

Simbologia

🔥

Elemento

Noite Escura

🔢

Número

7

🎨

Cor

Vermelho Escuro

🦁

Animais

Coruja de Lilith, Serpente do Éden

Sigilos:

Taça de encantamentoOs três anjosAsas

Tracos

Poderes

💔

Fraquezas

🧠

Comportamento

🛡️

Resistencias

Relacoes com outros seres

No Atlas

Viaja pelo mundo de origem dos seres e o cosmos das suas dimensões.

Mitologias

📍 Terra Santa
📅 Da era talmúdica aos tempos modernos (séculos I a XX)

Tradições esotéricas e cabalísticas dentro do judaísmo, que abrangem o misticismo Merkavá da era talmúdica, a Cabala zohárica do século XIII, a Cabala lurianica do século XVI, o movimento hasídico do século XVIII e diversas práticas meditativas, contemplativas e visionárias destinadas a ascender pelos mundos espirituais, invocar nomes divinos e alcançar a união mística com o divino enquanto se desvendam os segredos do universo criador.

Fontes

📚

Sefer Raziel HaMalakh

Eleazar de Worms (atribuído a Raziel) · 1200

Grimório judaico medieval (c. 1200) atribuído ao anjo Raziel, que segundo a tradição o entregou a Adão. Reúne cosmologia, nomes angélicos e magia protetora; referência central da angelologia esotérica.

📚

Zohar

Moisés de León · c. 1280

Obra cabalística fundamental do século XIII que expande a mitologia de Lilith e seus descendentes demoníacos.

Talmud Babilônico

Vários rabinos · ca. 500 d.C.

Compilação rabínica da lei oral e das discussões das academias da Babilónia, encerrada por volta do ano 500; os seus tratados recolhem também crenças sobre demónios, espíritos noturnos e amuletos.

📚

Alfabeto de Ben Sira

Anônimo (tradição judaica medieval) · 800

O Alfabeto de Ben Sira (século VIII-IX) é um texto judaico satírico que oferece a primeira narrativa detalhada de Lilith como primeira esposa de Adão que recusa submissão e voa para o Mar Vermelho.

Perguntas frequentes

Como o Alfabeto de Ben Sira descreve a origem de Lilith e sua fuga do Éden?

Lilith foi criada da mesma terra que Adão. Recusou-se a submeter-se a ele e pronunciou o Nome Mais Grande de Deus para obter poder sobrenatural. Voou do Éden para o Mar Vermelho dos Demônios, onde se uniu a demônios e anjos caídos.

Que dizem realmente as fontes sobre o seu aspecto?

Menos do que se julga. O Talmude dá-lhe cabelo comprido e asas, e as taças de Nippur desenham-na nua e com os pés atados. As asas de morcego, os pés fendidos, a lua crescente e o pentagrama invertido são do século XIX em diante: imagética romântica e ocultista, não judaica.

Que relação mantém Lilith com Adão e com Eva?

Com Adão, a que conta o Alfabeto de Ben Sira: foi a sua primeira mulher, recusou-se a deitar-se por baixo dele alegando que ambos vinham da mesma terra, pronunciou o Nome e partiu. Com Eva, nenhuma nesse texto. Opô-las é leitura moderna; a tradição medieval fez quase o contrário, identificar Lilith com a serpente do Éden.

Que lugar ocupa Lilith entre os demónios e que é dos lilim?

Os lilim são a sua descendência, não súbditos que lhe tenham sido atribuídos: é a mãe deles, e daí vem a sua autoridade. O Zohar emparelha-a com Samael e situa-a entre as qelipot. Que o seu poder culmine na lua nova não consta de fonte alguma; o que consta é que era temida de noite e sobretudo no parto.

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Última atualização: 20 de ago. de 2026