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Milcom

Milcom, deus nacional dos amonitas

Curadoria deCriado emAtualizado em

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Ásia
IsraelJordâniaLíbano+2Levante(Israel, Jordânia, Líbano, Síria, Palestina)
🏛️
Classificação
Deus CananeuNv. 90
🏛️
Hierarquia
Panteão CananeuNv. 94

Origens míticas de Milcom

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Milcom (ou Milkom) é o deus nacional dos amonitas, o povo semítico que habitava a leste do rio Jordão, em torno de sua capital Rabá (a atual Amã). Seu nome deriva da raiz semítica m-l-k, «rei», a mesma da palavra hebraica mélek, de modo que Milcom significa essencialmente «o Rei» ou «o que reina», título que expressava sua condição de soberano divino e protetor do reino de Amom. Como divindade tutelar, era considerado garante da identidade, da terra e da prosperidade de seu povo, à maneira como Yahweh o era de Israel ou Quemos dos moabitas.

Milcom na tradição bíblica

Milcom é conhecido sobretudo através da Bíblia hebraica, que o chama de «a abominação dos amonitas». O primeiro Livro dos Reis narra que o rei Salomão, influenciado por suas esposas estrangeiras, erigiu um lugar alto para Milcom nos arredores de Jerusalém, ato que os textos apresentam como uma grave apostasia; séculos depois, o rei Josias destruiu esse santuário durante sua reforma religiosa. As fontes bíblicas associam frequentemente Milcom a Moloque (Moleque), outra divindade ligada ao sacrifício, até o ponto em que ambos os nomes chegam a se confundir; os estudiosos debatem se se tratava de dois deuses distintos ou de advocações aparentadas de um mesmo culto real semítico ocidental.

Culto e legado

O conhecimento direto de Milcom é escasso, pois as fontes amonitas próprias são fragmentárias e boa parte do que sabemos procede de seus inimigos israelitas, que o pintaram como um ídolo detestável. A arqueologia aportou, no entanto, inscrições e estátuas do reino de Amom que atestam um culto real organizado em torno desta divindade protetora. Milcom perdura como um dos principais exemplos dos deuses nacionais do Levante da Idade do Ferro, cada um vinculado a um povo e a um território, e como testemunho do conflito religioso entre o monoteísmo israelita e os cultos vizinhos que a Bíblia combateu com especial dureza.

O que dizem as pedras de Amom

Fora da Bíblia, Milcom conhece-se sobretudo por objetos pequenos. O melhor que há são os nomes próprios: dezenas de selos, impressões e óstracos amonitas levam nomes compostos com o seu, do tipo «Milcom é luz» ou «Milcom deu», o mesmo costume pelo qual um israelita se chamava Netanyahu, «Yahweh deu». Um deus cujo nome as pessoas põem aos filhos é um deus de uso diário, não uma figura de altar isolada.

A peça maior é a chamada inscrição da cidadela de Amã, um bloco de calcário achado em 1961 com oito linhas incompletas, datado por volta do século IX a. C. Começa com um deus que fala e manda edificar, e a leitura habitual restitui ali o nome de Milcom, embora a pedra esteja partida justamente nesse ponto: a restituição é sólida e continua a ser uma restituição. Se estiver certa, temos o deus a encomendar obra ao seu rei, que é exatamente o que Quemos faz com Mesa na estela moabita.

À mesma cidadela pertencem umas estátuas e cabeças masculinas de calcário, da Idade do Ferro, toucadas com a coroa atef egípcia e com uma flor de lótus na mão. Se representam reis amonitas ou o seu deus é coisa discutida, mas constituem a única iconografia candidata que existe. Não há em todo o corpus amonita um único ídolo de bronze, nem um forno, nem um altar de crianças.

O que não é seu: o fogo e o ídolo

Convém separar duas coisas que há séculos andam coladas. O sacrifício de crianças pelo fogo, o recinto do Tofet e o ídolo de bronze com cabeça de bezerro pertencem à polémica bíblica em torno de Molek, e na sua forma mais conhecida a comentadores medievais muito posteriores. Nada disso aparece no material amonita, e nenhuma passagem bíblica atribui a Milcom, pelo seu nome, o rito do fogo: o que a Bíblia lhe censura é existir, ter um santuário em Jerusalém e competir com Yahweh.

A confusão, essa sim, é antiquíssima e está dentro do próprio texto. No primeiro Livro dos Reis, os versículos 5 e 33 do capítulo 11 dizem «Milcom, abominação dos amonitas», enquanto o versículo 7 do mesmo capítulo escreve «Molek» onde se esperaria Milcom; a tradução grega dos Setenta corrige e lê Milcom também aí. Em Jeremias 49, uns manuscritos dão «Milcom» e outros «o seu rei», porque as mesmas quatro consoantes admitem as duas leituras. Os copistas antigos já duvidavam, e quem veio depois herdou a dúvida como se fosse uma identidade.

Que as duas figuras estejam aparentadas é provável: ambas saem da raiz que significa «rei», e o catálogo mantém-nas unidas por isso. Que sejam intercambiáveis é outra coisa. Milcom é o deus de um reino concreto, com capital, monarquia, selos e uma inscrição própria; Moloque é, sobretudo, um nome que a tradição foi enchendo de imagens. Carregar sobre o primeiro o que se disse do segundo é repetir o gesto dos seus inimigos.

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Relíquias

Simbologia

🔥

Elemento

Fogo yang corrompido

🔢

Número

7

🎨

Cor

Bronze vermelho

🦁

Animais

Touro, Águia, Cabra

Sigilos:

Coroa atefTrono realFlor de lótusSelo com o seu nome

Tracos

Poderes

💔

Fraquezas

🧠

Comportamento

🛡️

Resistencias

Relacoes com outros seres

No Atlas

Viaja pelo mundo de origem dos seres e o cosmos das suas dimensões.

Mitologias

📅 c. 2000-500 a.C.

A mitologia cananeia desenvolveu-se entre os povos semitas que habitavam a região de Canaã, situada no Levante mediterrânico, desde o final do terceiro milénio a. C. até à primeira metade do primeiro milénio a. C. As principais fontes para o seu conhecimento provêm dos textos descobertos em Ugarit, bem como de referências em documentos egípcios, hititas e hebraicos. Esta tradição fazia parte de um conjunto mais amplo de religiões do antigo Oriente Próximo e partilhava elementos com as mitologias mesopotâmica e egípcia, embora conservasse traços próprios ligados ao ambiente costeiro e agrícola da zona. No panteão cananeu ocupavam um lugar destacado as divindades ligadas à fertilidade, à tempestade e ao mar. Baal, deus da chuva e da vegetação, desempenhava um papel central nos mitos de combate contra as forças do caos, enquanto Aserá, associada à maternidade e às árvores sagradas, figurava como consorte do deus supremo El. Outras figuras relevantes incluíam Astarte, Dagom e Mot, que encarnavam aspetos da guerra, do grão e da morte respetivamente. O culto praticava-se em santuários locais e templos, com rituais que procuravam assegurar a prosperidade agrícola e a proteção das cidades-estado. A influência da mitologia cananeia percebe-se em tradições posteriores do Levante, especialmente na religião do antigo Israel, onde certos elementos foram reinterpretados ou rejeitados. Restos epigráficos e arqueológicos encontrados na Fenícia e na Palestina atestam a continuidade de alguns cultos até à época helenística, momento em que se produziu uma fusão progressiva com divindades gregas e romanas.

Fontes

📚

Segundo Livro dos Reis

Anônimo · 600 a.C.

Livro histórico do Antigo Testamento que narra o fim das monarquias de Israel e Judá. Entre profetas como Eliseu, milagres e juízos divinos, menciona anjos exterminadores e práticas idólatras, fonte do imaginário sobrenatural do antigo Levante.

Livro de Jeremias

Atribuído a Jeremias · c. século VI a.C.

O Livro de Jeremias no Antigo Testamento contém as profecias do profeta Jeremias sobre a destruição de Judá e o exílio babilônico, com símbolos e eventos de sua vida.

Primeiro Livro dos Reis

Tradição bíblica · ~1000-500 a.C.

O Primeiro Livro dos Reis descreve o fim do reinado de Davi e a ascensão de Salomão, com o papel decisivo de Natã no capítulo 1 para assegurar a sucessão de Salomão contra Adonias por colaboração com Batesebá.

Perguntas frequentes

Milcom recebia sacrifícios de crianças?

Não há qualquer testemunho disso. Nem o material amonita (selos, óstracos, a inscrição da cidadela) o menciona, nem nenhuma passagem bíblica atribui a Milcom o rito do fogo citando-o pelo nome. A associação vem inteiramente de ter sido confundido com Molek, a figura do Levítico e de Jeremias, e de ambos os nomes procederem da mesma raiz. O que a Bíblia lhe censura é ter um santuário em Jerusalém levantado por Salomão, que Josias destruiu.

Milcom e Moloque são o mesmo deus?

A dúvida é antiga e está no próprio texto bíblico. Em 1 Reis 11, os versículos 5 e 33 dizem Milcom e o 7 escreve Molek no mesmo contexto; a tradução grega dos Setenta lê Milcom também no 7. Em Jeremias 49 uns manuscritos dão Milcom e outros «o seu rei», porque as quatro consoantes admitem ambas as leituras. Partilham a raiz de «rei» e provavelmente estão aparentados, mas Milcom é o deus de um reino identificável e Moloque é sobretudo um nome que a tradição foi enchendo.

O que se sabe de Milcom por fontes amonitas, e não bíblicas?

Pouco, mas significativo. Sobretudo nomes de pessoa formados com o seu, do tipo «Milcom é luz», gravados em selos e óstracos: o melhor indício de um culto difundido, porque ninguém chama o filho por um deus que não usa. E a inscrição da cidadela de Amã, do século IX a. C., onde um deus manda edificar e a leitura corrente restitui ali o seu nome, com a pedra partida justamente nesse ponto. Iconografia segura não há: as estátuas amonitas com coroa atef e flor de lótus podem ser reis ou podem ser ele.

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Última atualização: 20 de ago. de 2026