Baal-Hadad
Baal-Hadad, deus cananeu da tempestade, chuva e fertilidade
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Israel(Israel)
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Origens míticas de Baal Hadad
Hadad é o deus cananeu e semítico noroeste da tempestade, da chuva e da fertilidade, conhecido sobretudo pelo seu título Baal, que significa «senhor» ou «amo». Nos textos ugaríticos (século XIV a. C.) aparece como filho de Dagán (Dagom), o deus do grão, embora por vezes também seja ligado ao deus supremo El. Senhor das nuvens, é chamado «o que cavalga sobre as nuvens» e empunha o raio como lança e o trovão como voz. Como doador da chuva sazonal, de que dependiam as colheitas da Síria e Canaã, Hadad era uma das divindades mais importantes do seu panteão, garante da fertilidade da terra e do ciclo agrícola.
O Ciclo de Baal
O grande relato de Hadad é o Ciclo de Baal, conservado nas tábuas de Ugarit. Nele, Baal enfrenta Yam, o deus do mar e do caos primordial, e derrota-o com duas maças mágicas forjadas pelo deus artesão Kothar-wa-Khasis, ganhando a realeza entre os deuses. Após a sua vitória, com a ajuda da sua irmã e consorte Anat e da deusa Asherah, obtém permissão para edificar um palácio próprio, símbolo da sua soberania. Mais tarde desce ao submundo derrotado por Mot, o deus da morte e da aridez, e o seu desaparecimento seca a terra; mas Anat destrói Mot e Baal ressuscita, devolvendo a chuva e a vida. Este mito de morte e retorno personifica o ciclo das estações e a alternância entre seca e fertilidade.
Culto e legado
O culto a Baal estendeu-se por toda a Síria-Palestina e foi rival do yahvismo israelita, razão pela qual a Bíblia hebraica o condena reiteradamente como o ídolo por excelência (o confronto do profeta Elias com os profetas de Baal no monte Carmelo é o seu episódio mais célebre). Sob o nome de Hadad ou Adad foi venerado também na Mesopotâmia e Aram, e na época helenística foi identificado com Zeus e Júpiter na sua advocação de Júpiter Doliqueno. A sua iconografia (o deus com o braço erguido brandindo o raio, de pé sobre montanhas ou touros) influenciou a representação de outras divindades da tempestade do Mediterrâneo oriental, e a sua figura continua a ser central para entender a religião cananeia.
Também conhecido como
Relíquias
🏺 Raio de Baal
Simbologia
Elemento
Tempestade
Número
1
Cor
Dourado
Animais
Touro de Baal
Sigilos:
🏷️ Tracos
Poderes
Fraquezas
Comportamento
Resistencias
🗺️No Atlas
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📜 Mitologias
A mitologia cananeia desenvolveu-se entre os povos semitas que habitavam a região de Canaã, situada no Levante mediterrânico, desde o final do terceiro milénio a. C. até à primeira metade do primeiro milénio a. C. As principais fontes para o seu conhecimento provêm dos textos descobertos em Ugarit, bem como de referências em documentos egípcios, hititas e hebraicos. Esta tradição fazia parte de um conjunto mais amplo de religiões do antigo Oriente Próximo e partilhava elementos com as mitologias mesopotâmica e egípcia, embora conservasse traços próprios ligados ao ambiente costeiro e agrícola da zona. No panteão cananeu ocupavam um lugar destacado as divindades ligadas à fertilidade, à tempestade e ao mar. Baal, deus da chuva e da vegetação, desempenhava um papel central nos mitos de combate contra as forças do caos, enquanto Aserá, associada à maternidade e às árvores sagradas, figurava como consorte do deus supremo El. Outras figuras relevantes incluíam Astarte, Dagom e Mot, que encarnavam aspetos da guerra, do grão e da morte respetivamente. O culto praticava-se em santuários locais e templos, com rituais que procuravam assegurar a prosperidade agrícola e a proteção das cidades-estado. A influência da mitologia cananeia percebe-se em tradições posteriores do Levante, especialmente na religião do antigo Israel, onde certos elementos foram reinterpretados ou rejeitados. Restos epigráficos e arqueológicos encontrados na Fenícia e na Palestina atestam a continuidade de alguns cultos até à época helenística, momento em que se produziu uma fusão progressiva com divindades gregas e romanas.
Fontes
Segundo Livro dos Reis
Anônimo · 600 a.C.
Livro histórico do Antigo Testamento que narra o fim das monarquias de Israel e Judá. Entre profetas como Eliseu, milagres e juízos divinos, menciona anjos exterminadores e práticas idólatras, fonte do imaginário sobrenatural do antigo Levante.
Textos de Ugarit
Vários (escribas de Ugarit) · c. 1300 a.C.
Corpus de inscrições e tábuas que documentam a mitologia, rituais e teologia do panteão cananeu em Ugarit.
Perguntas frequentes
Como surge Baal-Hadad nos textos ugaríticos do século XIV a.C.?
Baal-Hadad surge nos textos ugaríticos como filho de El e sucessor após derrotar o deus do mar Yam. Sua ascensão simboliza o triunfo da ordem cósmica sobre o caos primordial. As tábuas de Ras Shamra descrevem rituais invocando seu poder para renovar a terra cada ano.
Que atributos e símbolos caracterizam Baal-Hadad segundo os mitos ugaríticos?
Baal-Hadad domina as tempestades, o trovão e a chuva que fertilizam os campos. É representado segurando um raio em uma mão e um cetro na outra. Os mitos o associam ao touro como símbolo de força viril e ao monte Saphon como morada divina.
Que relação Baal-Hadad mantém com Yam e Lotan na cosmologia cananeia?
Baal-Hadad derrota Yam, o deus do mar, e o dragão Lotan em batalhas cósmicas. Essas vitórias restauram a ordem contra o caos marinho. Seu triunfo estabelece seu domínio sobre tempestades e chuvas fertilizantes.
Como a figura de Baal-Hadad influenciou o Leviatã bíblico e o legado cultural do Levante?
Com a expansão das religiões abraâmicas Baal-Hadad foi demonizado e sua figura influenciou a imagem bíblica de Leviatã como força caótica derrotada. Seu culto persiste em rituais de fertilidade e na veneração de santos locais no Levante. Estudos modernos destacam seu papel como arquétipo do deus da tempestade que supera o caos.
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