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Ceres

Ceres, deusa romana do grão e mãe de Proserpina

Curadoria deCriado em

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EuropaEuropa
ItáliaRoma Antiga(Itália)
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Classificação
Deusa da ColheitaNv. 94
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Hierarquia
Panteão RomanoNv. 94

A Ceres itálica e a tríade grega

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Ceres é filha de Saturno e Ops, e irmã de Júpiter, Juno, Netuno, Plutão e Vesta. O seu nome é itálico e a sua festa, as Cerealia, pertence ao calendário romano mais antigo: não é um empréstimo. Mas em 496 a.C., durante uma fome, o ditador Aulo Postúmio consultou os Livros Sibilinos e prometeu um templo a três divindades juntas, Ceres, Líber e Líbera, que o cônsul Espúrio Cássio dedicou em 493. Essa tríade é grega: são Deméter, Dionísio e Core traduzidos para latim e celebrados em rito grego. Desde então convivem em Roma duas camadas da mesma deusa, e Cícero ainda as distingue com cuidado ao separar «este Líber nascido de Sémele» daquele «que os nossos maiores consagraram junto de Ceres e Líbera».

O templo do Aventino e a plebe

O templo da tríade, na encosta do Aventino junto à meta do Circo Máximo, não foi só um santuário: foi uma instituição da plebe romana. Ali se depositavam os senatusconsultos à guarda dos edis plebeus, precisamente para que os cônsules não pudessem suprimi-los nem falseá-los, como antes faziam a seu gosto. E ali ia parar o património de quem ousasse molestar um tribuno, um edil ou um juiz: a sua cabeça ficava consagrada a Júpiter e a sua casa vendia-se no templo de Ceres. Os edis plebeus custeavam ainda, com o dinheiro das multas que eles próprios cobravam, as estátuas de bronze dos três deuses. Nada disto é mitologia: é direito público romano, e explica por que Ceres pesava em Roma muito mais do que pesaria uma deusa do trigo.

As Cerealia e as raposas do circo

A sua festa eram as Cerealia, que ocupavam de 12 a 19 de abril, e os jogos que as acompanhavam eram os ludi Cereales, organizados pelos edis. Não se devem confundir com os ludi plebeii, que são outra festa e caem em novembro. O rito que as distinguia de qualquer outra é também o mais cruel: no último dia soltavam-se no Circo Máximo raposas com archotes acesos atados ao lombo. Ovídio recolheu a explicação que se dava em Carseoli. Um rapaz apanhou a raposa que lhe roubava as galinhas, envolveu-a em palha e feno e pegou-lhe fogo; o animal escapou a arder e queimou as searas por onde corria. Desde então, diz ele, queima-se uma raposa nas Cerealia para castigar a espécie do mesmo modo que ela destruiu as colheitas.

A busca de Proserpina

O mito central de Ceres é a perda da filha. Plutão arrebatou Proserpina e Ceres procurou-a pelo mundo com um archote em cada mão, atreladas serpentes ao seu carro, e enquanto procurava deixou a terra sem grão. Júpiter mediou e repartiu o ano entre a mãe e o marido, e desse reparto saem as estações. Convém saber que as próprias fontes latinas não concordam quanto ao quanto: nos Fastos, Ovídio fala de seis meses; nas Metamorfoses, do mesmo autor, de um terço do ano. Esta ficha não escolhe por Ovídio. E há uma frase que resume o que Roma pensava desta deusa melhor do que qualquer hino: já no tempo de Terêncio corria o dito de que sem Ceres e sem Líber, isto é sem pão e sem vinho, Vénus fica gelada.

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Também conhecido como

"Mãe dos Grãos"

Relíquias

Simbologia

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Elemento

Terra

🔢

Número

Sete

🎨

Cor

Dourado

🦁

Animais

Serpente, Porco

Sigilos:

Espiga de trigoArchoteSerpenteFoice

Tracos

Poderes

💔

Fraquezas

🧠

Comportamento

🛡️

Resistencias

Relacoes com outros seres

No Atlas

Viaja pelo mundo de origem dos seres e o cosmos das suas dimensões.

Mitologias

📍 Roma Antiga
📅 Monarquia até Império (c. 753 a.C. - 476 d.C.)

A mitologia romana formou-se a partir das crenças e práticas religiosas dos povos itálicos, especialmente dos latinos, entre os séculos VIII e I a. C., na península itálica. As suas origens encontram-se em tradições locais de caráter agrário e familiar que, com a expansão de Roma e o contacto com a Etrúria e as colónias gregas do sul de Itália, incorporaram divindades e relatos helénicos. As divindades principais incluíam Júpiter, Juno e Minerva, juntamente com Marte, Vénus e outras deidades ligadas a funções civis e estatais, muitas delas assimiladas a figuras gregas sem que se produzisse uma substituição completa dos cultos autóctones. O sistema religioso romano caracterizava-se por uma visão pragmática do mundo em que a manutenção da pax deorum era essencial para a prosperidade da comunidade. Os rituais, os augúrios e o culto aos lares e manes faziam parte de uma estrutura em que a religião estava estreitamente ligada à vida política e familiar. Com o passar do tempo, o panteão enriqueceu-se mediante a interpretatio romana de deuses estrangeiros e a introdução de cultos orientais. O seu legado percebe-se na literatura latina, na organização do calendário e na sobrevivência de numerosos nomes de deuses nas línguas românicas e na iconografia ocidental posterior. Elementos da mitologia romana influenciaram a arte renascentista e a cultura europeia até à época contemporânea, conservando a sua marca em topónimos, festividades e na transmissão de relatos mitológicos através de autores como Ovídio e Virgílio.

Fontes

📚

Fastos

Ovídio · 8 d.C.

Poema de Ovídio sobre o calendário romano que inclui relatos sobre Rea Sílvia, Marte e a origem de Roma.

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Metamorfoses

Ovídio · 8

Obra poética de Públio Ovídio Nasão que narra mitos de transformações, incluindo referências a Hipólito e Virbius.

📚

De Natura Deorum

Marco Túlio Cícero · 45 a.C.

Diálogo filosófico de Marco Túlio Cícero que discute a natureza dos deuses romanos, incluindo Baco.

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Antiguidades romanas

Dionísio de Halicarnasso · 7 a.C.

Obra de Dionísio de Halicarnasso que examina as antiguidades romanas e relata a história de Rea Sílvia e dos fundadores gêmeos.

Perguntas frequentes

Ceres é a Deméter grega com outro nome?

Não. O seu nome é itálico e a sua festa pertence ao calendário romano mais antigo. Grega é a tríade do Aventino, prometida em 496 a.C. durante uma fome após consultar os Livros Sibilinos: ali Ceres, Líber e Líbera traduzem Deméter, Dionísio e Core, e celebravam-se em rito grego. Cícero ainda distinguia uma camada da outra.

Que tinha o seu templo a ver com a política romana?

Quase tudo. O templo do Aventino era o arquivo da plebe: os senatusconsultos guardavam-se ali à guarda dos edis plebeus, precisamente para que os cônsules não pudessem suprimi-los nem falseá-los. E quem molestava um tribuno via a sua casa vendida nesse mesmo templo. Era direito público, não devoção.

É verdade que nas suas festas se soltavam raposas a arder?

Sim, no Circo Máximo, com archotes atados ao lombo. Ovídio recolheu a explicação de Carseoli: um rapaz queimou a raposa que lhe roubava as galinhas, ela escapou em chamas e queimou as searas, e desde então castigava-se a espécie do mesmo modo que ela destruíra a colheita.

Quanto tempo passava Proserpina longe dela?

Depende da fonte, e ambas são do mesmo poeta. Nos Fastos, o pacto de Júpiter dá-lhe seis meses; nas Metamorfoses, um terço do ano. A discrepância é antiga e não se resolve escolhendo uma: o constante é a causa, pois comeu a granada do submundo.

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Última atualização: 24 de ago. de 2026