Set
Set, deus do caos, da tempestade e da violência na mitologia egípcia
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Egito Antigo(Egito)Árvore genealógica
Genealogia e natureza de Set
Set (também Seth ou Sutekh) é o deus egípcio do deserto, das tempestades, do caos, da violência e dos estrangeiros. Filho de Geb, a terra, e de Nut, o céu, faz parte da Ênade heliopolitana junto com seus irmãos Osíris, Ísis e Néftis, esta última sua esposa. Os Textos das Pirâmides o apresentam como uma força primordial e turbulenta; segundo Plutarco, nasceu arrancando-se do flanco de sua mãe antes do tempo, uma origem violenta que antecipa seu caráter. Encarna o deserto vermelho e as tempestades, as potências que se opõem à ordem cósmica de Maat, sem as quais, no entanto, o equilíbrio do mundo não seria possível.
O conflito com Osíris e Hórus
O mito osiriano define a figura de Set. Invejoso do trono de seu irmão Osíris, ele o assassina por meio de um engano: faz com que se deite num cofre feito à sua medida, sela-o com chumbo derretido e o lança ao Nilo. Quando Ísis consegue recuperar o corpo, Set o despedaça em catorze partes e espalha os fragmentos por todo o Egito. Dessa afronta nasce a vingança de Hórus, filho de Osíris, no longo litígio conhecido como as Contendas de Hórus e Set: uma demanda de oitenta anos perante o tribunal divino, com combates, astúcias e mutilações recíprocas, que termina com a entronização de Hórus como rei legítimo e a derrota de Set.
Defensor da barca de Rá
Apesar de sua faceta destrutiva, Set desempenha uma função indispensável na cosmologia egípcia. A cada noite viaja na barca solar de Rá através do Duat e, com sua lança, abate Apófis (Apep), a grande serpente do caos que ameaça devorar o sol e impedir seu renascimento ao amanhecer. Sua força descomunal, a mesma que o torna temível, converte-se aqui em garantia da continuidade do cosmos. Nessa ambivalência reside a chave do personagem: potência caótica e, ao mesmo tempo, defensor necessário da ordem solar diante de um inimigo que nem sequer os demais deuses conseguem vencer.
Iconografia e culto de Set
Set é representado com a cabeça do enigmático «animal de Set» (sha), criatura não identificada de focinho curvo e descendente, orelhas altas de ponta quadrada e cauda ereta e bifurcada; também lhe são associados o hipopótamo, o porco e o asno, junto à cor vermelha do deserto. Seu culto teve seu centro em Ombos (Nubt, perto de Naqada) e no Alto Egito, e gozou de especial favor entre os hicsos, que o adotaram como deus patrono, assim como sob os faraós ramséssidas, vários de cujos nomes (Seti, Setnakht) o invocam. Em épocas tardias, após sucessivas dominações estrangeiras, foi progressivamente demonizado e assimilado ao Tifão dos gregos, inimigo dos deuses; suas imagens chegaram a ser apagadas de muitos monumentos.
Também conhecido como
Relíquias
🏺 Lança de Set
Arma lendária usada para despedaçar Osíris, símbolo de violência divina.
Simbologia
Elemento
Tempestade e Deserto
Número
Quatro
Cor
Vermelho
Animais
Animal de Set (Orelhas retas, focinho curvo), Hipopótamo
Sigilos:
🏷️ Tracos
Poderes
Fraquezas
Comportamento
Resistencias
🔗 Relacoes com outros seres
🗺️No Atlas
Viaja pelo mundo de origem dos seres e o cosmos das suas dimensões.
📜 Mitologias
A mitologia egípcia desenvolveu-se no antigo Egito ao longo de mais de três milênios, desde o período pré-dinástico até a época romana, e esteve estreitamente vinculada à civilização que habitava as margens do Nilo. Suas crenças baseavam-se em uma cosmovisão em que a ordem cósmica, representada pelo conceito de maat, era mantida graças à ação dos deuses e ao cumprimento de rituais por parte dos humanos. O panteão egípcio incluía numerosas divindades locais e nacionais, entre as quais se destacavam Rá, associado ao sol e à criação, e Osíris, deus da ressurreição e do submundo, junto a outras figuras como Ísis, Hórus, Set e Amom. As narrativas mitológicas explicavam a origem do mundo, o ciclo diário do sol e o destino da alma após a morte, integrando elementos da natureza do vale do Nilo e da observação astronômica. Os textos funerários, como o Livro dos Mortos, e os relevos dos templos constituem as principais fontes para o conhecimento dessas crenças. Embora o culto oficial tenha decaído com a cristianização do Egito, a mitologia egípcia exerceu uma influência duradoura na arte, na literatura e no imaginário ocidental, e continua sendo objeto de estudo na egiptologia.
Fontes
As Contendas de Hórus e Set
Tradição egípcia · c. 1186–1070 a.C.
Relato mitológico egípcio do Papiro Chester Beatty I (XX dinastia, c. 1186-1070 a.C.). Narra a contenda de oitenta anos entre Hórus e Set pelo trono do Egito perante o tribunal dos deuses, fonte fundamental sobre Osíris, Ísis, Rá e o panteão egípcio.
Textos das Pirâmides
Unknown · -2400
Coleção de textos funerários do Antigo Egito inscritos nas pirâmides das dinastias V e VI.
Sobre Ísis e Osíris
Plutarch · 100
Tratado de Plutarco (séculos I-II d.C.) que transmite a versão mais completa do ciclo osiríaco e da família divina egípcia, interpretada para o mundo greco-romano. Fonte clássica fundamental da religião egípcia.
Perguntas frequentes
Qual é a origem de Set nos Textos das Pirâmides?
Set já aparece nos Textos das Pirâmides como divindade primordial, filho de Geb e Nut, e irmão de Osiris, Isis e Neftis. Encarnando o deserto vermelho, a tempestade e a força estrangeira: tudo o que fica fora do vale fértil. É a personificação do isfet, o caos que se opõe à maat, a ordem.
Que papel protetor adquire Set após sua contenda com Hórus?
Após perder a contenda pelo trono, Set passa a defender a barca solar de Rá frente à serpente Apófis. Esse papel encarna a dualidade entre caos e ordem: o mesmo deus que assassina Osíris torna-se indispensável, porque apenas uma força destruidora pode deter aquela que ameaça devorar o sol.
Que atributos e símbolos caracterizam o domínio de Set sobre tempestades e desertos?
Set governa tempestades, desertos, caos e estrangeiros. Seu animal sagrado é o animal de Set com orelhas retas e focinho curvo. É associado à cor vermelha, metalurgia e força bruta como energia destrutiva e protetora.
Por que o assassino de Osiris defende o barco solar de Ra?
É o grande paradoxo de Set. Após perder o trono para Horus, passa a viajar no barco de Ra e a repelir cada noite a serpente Apofis, que tenta devorar o sol. A teologia egípcia não o transforma em um deus bom: reconhece que apenas uma força destrutiva pode deter outra, e que a ordem precisa dessa violência em seu lado para sobreviver.
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