Perséfone
Perséfone, deusa do renascimento, da vegetação e rainha do submundo
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Grécia Antiga(Grécia)O rapto de Perséfone
Perséfone é filha de Zeus e Deméter, e em sua faceta virginal é chamada simplesmente de Core, a Donzela. O Hino Homérico a Deméter conta que ela colhia flores na planície de Nisa com as filhas de Oceano quando se agachou para pegar um narciso que a Terra havia feito brotar como armadilha: o solo se abriu e Hades saiu com sua carruagem para levá-la, com o consentimento de Zeus, que havia prometido a sua irmã a moça sem dizer à mãe. Deméter a procurou nove dias com tochas acesas, sem comer nem se lavar, até que Hélio lhe revelou o ocorrido. A localização do rapto em Enna, na Sicília, é tradição posterior, difundida sobretudo pelos poetas latinos.
A romã e a distribuição do ano
Diante da recusa de Deméter em deixar crescer o grão, Zeus ordenou devolver a moça. Mas Hades lhe deu a comer uns grãos de romã antes de soltá-la, e quem prova o alimento do submundo fica ligado a ele: por isso Perséfone tem de voltar cada ano junto a seu esposo. As fontes discrepam no número de grãos e na repartição resultante, entre um terço do ano e a metade. A equação popular entre sua ausência e o inverno deve muito à releitura dos poetas romanos; na Grécia mediterrânea o tempo morto do campo é o verão seco, quando o grão já está guardado. Seus emblemas são a romã, a tocha, o narciso e a espiga.
Rainha do inframundo e os mistérios de Eleusis
Junto a Hades governa os mortos, e o faz com autoridade própria: é ela quem concede a Orfeu levar Eurídice, e ante quem Psique deve apresentar-se no mito de Apuleyo. Nos Mistérios de Elêusis, celebrados durante quase dois milênios, mãe e filha eram as duas deusas, e a revelação central se oferecia aos iniciados como uma promessa sobre o destino após a morte; o segredo se guardou tão bem que ainda hoje se desconhece em que consistia. As lâminas órficas de ouro achadas em tumbas da Itália e Creta instruem o defunto sobre o que dizer à rainha para ser admitido entre os seus. Essa dupla natureza, a Donzela que volta e a Soberana que julga, explica que sua figura sobrevivesse à Antiguidade como imagem do ciclo entre a vida e a morte.
Também conhecido como
Relíquias
🏺 Romã do Submundo
A fruta que Perséfone comeu, atando-a ao Submundo por seis meses por ano.
Simbologia
Elemento
Terra e Sementes
Número
Seis
Cor
Vermelho Romã e Verde Primavera
Animais
Porcos Sagrados
Sigilos:
🏷️ Tracos
Poderes
Fraquezas
Comportamento
Resistencias
🗺️No Atlas
Viaja pelo mundo de origem dos seres e o cosmos das suas dimensões.
📜 Mitologias
A mitologia grega desenvolveu-se na Grécia Antiga a partir da Idade do Bronze tardia e alcançou sua forma mais elaborada durante os períodos arcaico e clássico, entre os séculos VIII e IV a.C. Surgiu entre os povos helênicos que habitavam a península grega, as ilhas do Egeu e as costas da Ásia Menor, e transmitiu-se principalmente por meio da poesia oral de Homero e Hesíodo, bem como de tradições locais recolhidas em santuários e festivais. Sua cosmovisão apresenta um universo ordenado por uma hierarquia de divindades que intervêm nos assuntos humanos e naturais, com o Olimpo como morada dos deuses principais e o Hades como destino dos defuntos. As divindades centrais incluem os doze olímpicos, encabeçados por Zeus, deus do céu e soberano, junto com Hera, Poseidon, Atena, Apolo, Ártemis, Afrodite, Ares, Hefesto, Hermes, Deméter e Dionísio. Antes deles, os titãs, entre os quais se destacam Cronos e Réia, governaram o cosmos até serem depostos pelos olímpicos na Titanomaquia. Outras entidades importantes são as musas, as ninfas, os ciclopes e as moiras, que encarnam forças cósmicas e destinos. Esta tradição exerceu uma influência duradoura na literatura, na arte e no pensamento de Roma, no Renascimento europeu e na cultura ocidental posterior, fornecendo motivos, personagens e estruturas narrativas que perduraram na filosofia, na astronomia e nas artes até a atualidade.
Fontes
Teogonia
Hesiod · -700
Poema de Hesíodo que detalha a origem dos deuses e titãs gregos.
Hino homérico a Deméter
Anônimo · c. 600 a.C.
Poema épico que narra o rapto de Perséfone e a origem dos Mistérios de Elêusis.
Descrição da Grécia de Pausanias
Pausanias · ca. 150 d.C.
A «Descrição da Grécia» de Pausânias (século II), guia geográfico e religioso do mundo grego. Percorre santuários, monumentos e cultos locais, e conserva mitos, heróis e divindades que de outro modo se teriam perdido.
Perguntas frequentes
Quem é Perséfone e por que ela também é chamada Core?
É a filha de Zeus e Deméter, e rainha do inframundo junto a Hades. Core significa simplesmente «a Donzela» e é como ela é nomeada em sua faceta virginal, antes do rapto; Perséfone é o nome da soberana dos mortos. As duas faces convivem no mesmo culto.
Por que ela teve que voltar ao submundo se Zeus ordenou libertá-la?
Porque antes de soltá-la, Hades lhe deu para comer uns grãos de romã, e quem prova o alimento dos mortos fica ligado a esse mundo. O detalhe é a chave do mito: não a retém a força, mas ter comido ali. As fontes discrepam em quantos grãos foram e em se lhe corresponde um terço ou a metade do ano.
É verdade que a sua ausência causa o inverno?
É a versão popular, mas deve muito aos poetas latinos. No clima mediterrânico o tempo morto do campo não é o inverno, mas o verão seco, quando o grão já está nos silos. O mito explica o ciclo agrícola da semente que desce sob a terra e volta a brotar, mais que as estações frias.
O que eram os Mistérios de Eleusis?
O culto iniciático de Deméter e Perséfone, celebrado durante quase dois milênios perto de Atenas. Aos iniciados revelava-se algo sobre o destino após a morte que os deixava sem medo de morrer. O segredo foi guardado tão bem que ainda hoje não sabemos em que consistia: é um dos grandes silêncios da Antiguidade.
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